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		<title>Dois irmãos.</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 14:58:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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A peleja entre os gêmeos Raimundo e Deodoro Paranhos era nacionalmente conhecida. Sua luta encarniçada pelo título de “especialista em tudo o que há” os levaram a um sucesso ressonante: ambos eram editorialistas prestigiados, embora um tivesse por formação a medicina – em uma escola conhecida por instruir as maiores mentes do liberal Partido do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=277&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-276" title="tcl008" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/06/tcl008.jpg?w=286&#038;h=485" alt="tcl008" width="286" height="485" /></p>
<p>A peleja entre os gêmeos Raimundo e Deodoro Paranhos era nacionalmente conhecida. Sua luta encarniçada pelo título de “especialista em tudo o que há” os levaram a um sucesso ressonante: ambos eram editorialistas prestigiados, embora um tivesse por formação a medicina – em uma escola conhecida por instruir as maiores mentes do liberal Partido do Povo – e o outro estudado as leis do país na conservadora e católica Universidade de Todos os Santos. Raimundo escrevia a coluna <em>A Lupa</em> no segundo jornal mais vendido do país: seu grande mérito era destrinchar a vida de celebridades e políticos como um médico legista o faz com um cadáver. Não raro destruía reputações apimentando matérias e opiniões com segredos de alcova. O que lhe salvava a cabeça era a maneira magistral com que lidava com a língua portuguesa – diziam os amigos intelectuais. Fora convidado a ser sócio do jornal tamanho o sucesso de sua escrita entre as classes populares, mas preferiu continuar dividindo a literatura com a clínica geral – era, talvez, o médico mais bem-sucedido da capital.</p>
<p>Ao carola Deodoro cabia a tarefa de expurgar todo e qualquer traço de liberalidade na sua coluna <em>O púlpito</em>, que aos domingos era substituída pelas orações que Dona Marília Paranhos, sua esposa e oradora prodigiosa, concebia com suas amigas da fraternidade Mulheres por Nossa Senhora. Se o irmão trabalhava no jornal conhecido como “jornal do Raimundo”, era Deodoro o colunista mais lido do país. Trabalhava para um influente grupo de comunicação que detinha a maior rede de rádios e televisões da República e isso explicava porque era execrado por progressistas e comunistas, mas adorado pelos conservadores e o admirável contingente de católicos praticantes que se espalhavam por todos os cantos da nação.</p>
<p>Se Raimundo escrevia sobre a boa fase do time de futebol nacional Deodoro fazia ressalvas quanto à escalação do time. Se Deodoro escrevia sobre a retumbante vitória do Partido Conservador nas eleições regionais Raimundo protestava contra as leis que impediam negros e brancos de se sentarem juntos em lugares públicos. Se um herói nacional era prestigiado em <em>O Púlpito</em> certamente <em>A Lupa</em> traria um filho ilegítimo aos holofotes. Não foi uma surpresa quando Raimundo perdeu a cadeira na Academia Nacional de Letras para o irmão. Tampouco foi uma surpresa quando Deodoro tachou de “socialistas”, em sua coluna, os celebres intelectuais que apontavam Raimundo como a melhor opção para a prefeitura da capital. A antítese daquela relação era acompanhada de forma tão entusiasmada que a “guerra dos Paranhos” era, sem dúvida alguma, a novela mais popular do país.</p>
<p>A única pessoa a que ambos respeitavam era a sua mãe, centenária, mas liberal nos costumes. No dia do seu enterro ambos acertaram uma trégua muda, publicando cada um a sua maneira a história daquela mulher – que enviuvara cedo e criara doze filhos. Aquela senhora não viu os dois filhos se cumprimentarem em seu leito de morte, porque um estava a esperar na varanda que o outro se retirasse da casa. Não guardaram luto. Em poucos dias Raimundo estava a protestar contra a péssima estrutura da escola de seu povoado natal, que representava para ele o exemplo de como o Partido Conservador tratava a educação do país na região serrana. Deodoro se contrapôs reafirmando as benesses que o programa de agricultura trouxera aquela região, que produzira um presidente e um membro da Academia Nacional de Letras.</p>
<p>Não causou espanto algum quando, aos 65 anos, Raimundo morreu de uma cirrose devastadora. Seus hábitos pouco saudáveis e seu gosto pelo destilado nacional o levara a ter uma constituição fraca – não raro padecia de desmaios e refluxos diante dos amigos. Mesmo contrariado o Partido Conservador decretou luto por três dias em homenagem aquele homem, que fora reconhecido recentemente por sua luta pelos direitos humanos. <em>A Lupa</em> amanheceu sem o seu colunista e, naquele dia, o “jornal do Raimundo” foi o mais vendido na capital e no interior. Embora as homenagens não cessassem Deodoro não se deu por vencido publicando em <em>O púlpito</em> a sua celebre frase: A bebida faz o homem.</p>
<p>Aos 82 anos de idade foi encontrado morto sobre a sua cama, vitima de um enfarte fulminante. Já havia sido ministro de estado duas vezes e trabalhava incessantemente em um livro, o qual nunca concluiu. Também descontente o Partido do Povo, que chegara ao poder depois de algumas gerações e embalado pela revolução dos costumes na Europa, decretou luto por três dias e ponto facultativo em todas as repartições. Durante três semanas, <em>O púlpito</em> passou a retratar a vida de Deodoro Paranhos e seus principais amigos e familiares dedicaram-lhe as mais honradas palavras. <em>A Lupa</em> calou-se diante da sobriedade com que aquele homem levara a vida, constituindo uma família feliz e sem nenhum filho ilegítimo reclamando o inventário.</p>
<p>O armistício só cessou quando o presidente, liberal e grande admirador de Raimundo Paranhos, não compareceu nem velório e nem ao enterro, consagrado nas tumbas da Academia Nacional de Letras. No outro dia <em>A Lupa</em> fazia menção ao plano nacional de desenvolvimento e <em>O púlpito </em>a falta que fazia ao país a figura de um grande estadista.</p>
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		<title>O sumiço de Luisa.</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 14:57:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-268" title="86380782" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/06/863807821.jpg?w=476&#038;h=139" alt="86380782" width="476" height="139" /></p>
<p>De todas as coisas que Luisa gostava mais de fazer, além das visitas a Tia Gioconda em noites de reza forte, a que mais lhe agradava era bordar sob o céu estrelado de Paúra. A vila fora castigada pelo santo patrono com um clima cáustico que impedia a visita do vento as janelas, mas mantinha o dia e a noite sem a marca de nuvens. Um escritor famoso que nascera em Paúra e de lá fugira em sua rebeldia adolescente dissera que “para as crianças do povoado faltava o essencial, a merenda e a imaginação”. Confessou anos mais tarde que a falta de nuvens era um castigo sobre-humano àquela cidadela: não se podia adivinhar em suas formas nem elefantes e nem coelhos, era uma espécie de sub-nutrição.</p>
<p>Luisa bordava corações nos babados. Aprendera aquele desenho, que em nada se assemelha a anatomia humana, nas cartas de baralho que Tia Gioconda guardava dentro da gaveta, sob o oratório. A senhora de avançada idade sempre dizia que “havia muito o que se aprender na guerra muda do carteado” e Luisa gostava da maneira enigmática com que Gioconda Mastrocola fraseava – sempre levantando o dedo indicador ou depois de baforar a fumaça densa de seu cigarro de palha. Quando a moça não estava bordando se mantinha trancada em seu quarto onde escrevia, sempre em dia santo, uma carta de amor a si mesma. Todas as mulheres de Paúra eram ensimesmadas, dizia o autor fugitivo em entrevista: alimentam-se de amor ou farinha, quando não estão a se alimentar das duas coisas, ao mesmo tempo.</p>
<p>Uma noite deram por falta de Luisa. Gritos de pavor tomaram a velha casa dos Mastrocolas quando perceberam que havia no lençol uma mancha de sangue indistinguível. Pequena e ainda úmida. Convocaram Gioconda a levantar-se da velha cadeira de balanço e dar o seu veredito. A senhora embora muito próxima de Luisa afirmou não saber nenhum segredo que desse fim ao mistério. E era verdade. Gostava mais da pequena pela atenção dedicada do que por seus desvarios românticos; sequer lhe interessava se a moça tinha um pretendente. Olhando a mancha com suas pupilas cansadas, perguntou:</p>
<p>- Já está na idade fértil? &#8211; ao que ninguém sabia responder.</p>
<p>Não demorou para a história se espalhar por Paúra a passos demôniacos. Todos conheciam um possível infeliz que tivesse roubado a honra da moça, embora nenhum varão tenha desaparecido da cidade. A desonra dos Mastrocolas era um mistério tão insóluvel que as mulheres da cidade resolveram tomar a partir dali medidas drásticas: toda menina em idade fértil tinha a sua menstruação anunciada com lençois presos as janelas. O pudor era tamanho que as meninas de Paúra passaram a ser chamadas sempre com o nome de suas mães e Luisa se tornou um nome proibido, amaldiçoado. Até hoje, mesmo com a morte do último Mastrocola da cidade, o “dia do vermelho” é comemorado em bailes entusiasmados. Tornou-se uma galhofa entre os homens da vila e uma dor de cabeça entre as mulheres, que escondem os lençois antes que seus maridos os pintem em vermelho para saírem as ruas em um carnaval tenebroso.</p>
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		<title>Jurubeba.</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 12:36:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ela se sentou cansada sobre a pedra espumada e levou os braços até a testa, enxugando o suor que escorria sobre o rosto. As outras riram de sua indisposição.
- Porque parou, mulher¿
Estou cansada dessa vida, Nena – e torceu a barra do vestido – Não posso passar o resto da vida sovando roupa na pedra.
- [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=263&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-264" title="Old-woman" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/old-woman.jpg?w=604&#038;h=447" alt="Old-woman" width="604" height="447" /></p>
<p>Ela se sentou cansada sobre a pedra espumada e levou os braços até a testa, enxugando o suor que escorria sobre o rosto. As outras riram de sua indisposição.</p>
<p>- Porque parou, mulher¿</p>
<p>Estou cansada dessa vida, Nena – e torceu a barra do vestido – Não posso passar o resto da vida sovando roupa na pedra.</p>
<p>- Alguns nascem para isso, Juru – Nena estendia o lençol sobre os galhos de um cajueiro – Para lavar a roupa suja dos outros. E ainda reclamam se tudo não ficar um brinco.</p>
<p>-  Pois um dia vou embora sem deixar rastro.</p>
<p>- Você sabe o que acontece com uma bonitinha feito você na cidade grande – Olhou com repreensão – Quer ser mulher de vida fácil¿</p>
<p>- Quero cantar fora da bacia, Nena. No rádio.</p>
<p>- Aqui nós cantamos ou pra atrair a chuva ou pra espantar o Diabo, filha.</p>
<p>Jurubeba recolheu a bolsa que levava sempre para o ribeirão e retirou duas presilhas douradas. Começou a fazer uma trança com a ponta dos cabelos.</p>
<p>- Sabe Nena, minha avó sempre dizia que a graça da desgraça é o seu repente. Como uma chuva dessas de quebrar teto. Quem movimenta o mundo são os demônios porque Deus é sempre misericordioso.</p>
<p>- Sua avó era mulher amarga, Juru. Eu a conhecia como ninguém.</p>
<p>- Eu queria me apaixonar, Nena.</p>
<p>- Você é nova. Um dia aprende que isso é mais do que castigo – virou-se para Jurubeba e sorriu – Já tem um pretendente¿</p>
<p>- Sim, o dono do circo. Anda a me fazer gracejos.</p>
<p>- Ele poderia ser seu pai, toma juízo.</p>
<p>Prendeu a primeira trança com a presilha e começou a cantarolar.</p>
<p>- Eu poderia ter nascido um passarinho.</p>
<p>- Sua aluada. Pois eu não saberia o que fazer com duas asas.</p>
<p>- Poderia voar, Nena.</p>
<p>- Ou cair na boca de um gavião.</p>
<p>- Você sentiria saudades de mim, prima¿</p>
<p>- Está pensando em fugir, Jurubeba¿</p>
<p>- Ele me convidou para ser bailarina.</p>
<p>- O parrudo que se pinta de palhaço¿</p>
<p>- Ele mesmo.</p>
<p>- E você sabe dançar¿</p>
<p>- Não, mas aprendo. Tenho até o fim do mês, depois o circo parte para a Capital.</p>
<p>- Nessa sua cabeça de minhoca nem a barba do profeta faz cócegas. Deus lhe ilumine.</p>
<p>- Vou pra casa minha barriga dói.</p>
<p>- Toma aquela efusão que eu te ensinei. Se for bicho sara logo.</p>
<p>- Vai ficar aí¿</p>
<p>- Até não sobrar uma mancha nessa roupa.</p>
<p>Jurubeba torceu o vestido mais uma vez e calçou as sandálias. Com a bolsa a tira-colo ainda olhou para trás e sorriu para Nena, prima-irmã de sua mãe, dizendo:</p>
<p>- Se eu tiver uma filha vou pôr o seu nome.</p>
<p>- E se for menino¿</p>
<p>- Vai ter o nome do pai.</p>
<p>***</p>
<p>- Estou mais morta do que viva, por isso enterrem-me sob folhas secas e perfumadas, batam palmas, mas não derramem uma lágrima – dizia a velha. E a lenda que corria no ribeirão era que Deus havia se apiedado daquele ser miúdo e desdentado, e esquecido de marcar a sua hora.</p>
<p>Centenária e desbocada, Jurubeba não teve filhos. Era conhecida como Dona Alminha, a Bruxa, a Velha do Ribeirão. Quando uma criança cometia uma prenda seus pais sempre diziam:</p>
<p>- Eu vou chamar Jurubeba! – e todas corriam para debaixo do lençol.</p>
<p>***</p>
<p>- Nena – conversava a velha com o retrato da defunta – se eu tivesse tido uma filha ela teria o seu nome.</p>
<p>As folhas do cajueiro sopravam rindo de seus óvarios murchos.</p>
<p>- Mas se fosse menino teria o nome do pai.</p>
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		<item>
		<title>Breu.</title>
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		<pubDate>Thu, 21 May 2009 11:50:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
Vou a pé a cidade de Aluz, a última cidade habitada antes do pólo norte. O inverno mal começou e as únicas luzes que brilham são as luzes do norte – a aurora rabiscada na abóboda celeste. Com o meu compasso vou anotando as coordenadas até chegar na cidadela, toda construída em vidro multicolorido.
- O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=261&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-260" title="85795845" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/857958453.jpg?w=505&#038;h=288" alt="85795845" width="505" height="288" /></p>
<p>Vou a pé a cidade de Aluz, a última cidade habitada antes do pólo norte. O inverno mal começou e as únicas luzes que brilham são as luzes do norte – a aurora rabiscada na abóboda celeste. Com o meu compasso vou anotando as coordenadas até chegar na cidadela, toda construída em vidro multicolorido.</p>
<p>- O vidro não é um bom isolante térmico – falei ao guarda que protegia a primeira torre de vigília.</p>
<p>- Essa é uma cidade esquecida pela luz, estrangeiro, por isso a transparência.</p>
<p>Vejo vultos; em uma das casas alguém tira as calças e senta em uma privada. Em outra uma mulher seminua recusa as carícias de um homem alto. Os vitrais não permitem que aquelas sombras assumam alguma definição – logo não sei se era um homem, se estava a acariciá-la, se alguém sentou em uma privada. As paredes contavam histórias, falavam um dialeto estranho, e o estrangeiro despreparado ou perdia tempo para interpretá-las ou, cauteloso, fechava os olhos e tateava até a estalagem mais próxima.</p>
<p>Em Aluz nenhum segredo sobrevivia, as paredes reverberavam cochichos e conversas de pé de ouvido. Se alguém amava a filha do prefeito, logo estavam todos prevenidos antes da primeira serenata. Por isso as empresas que mais prosperavam na pequena cidade eram o correio e a funerária, responsáveis por entregar as cartas de porta em porta e por enterrar os mortos com discrição. Mas cartas podem ser abertas e túmulos profanados, pensei.</p>
<p>Em Aluz, onde o sol só batia durante três meses, não se podia mentir nem tampouco confiar na verdade. O viajante que quisesse lá permanecer não deveria nunca questionar um morador sobre os seus rumos. Um cartaz na estalagem surpreendia os turistas ao dizer SORRIA. Não era um convite, era uma recomendação.</p>
<p>Dali partiria para o pólo onde seria o primeiro homem a fincar a bandeira do meu país no ponto mais extremo da Terra. Andara léguas com o meu compasso, agora além do calor me faltava um objetivo maior que me fizesse voltar a minha nação – que não o de mostrar aos meus compatriotas a foto que iria tirar da nossa bandeira flamulando junto a nações amigas e inimigas.</p>
<p>Talvez voltasse a Aluz e lá construísse minha própria casa de vidro.</p>
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		<title>Monólogo.</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 13:38:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
[Na cena um banco e um copo d’água. Ele se senta, cruza as pernas e acende um cigarro. Levanta o dedo como quem pede licença para falar, logo depois o enfia na orelha direita]
- Não é sobre o que eu quero sentir, entendem? Eu já sinto muito, por mim, por você, por todos aqui sentado. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=242&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-243" title="sb10069456g-001" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/sb10069456g-001.jpg?w=477&#038;h=317" alt="sb10069456g-001" width="477" height="317" /></p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Na cena um banco e um copo d’água. Ele se senta, cruza as pernas e acende um cigarro. Levanta o dedo como quem pede licença para falar, logo depois o enfia na orelha direita]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- Não é sobre o que eu quero sentir, entendem? Eu já sinto muito, por mim, por você, por todos aqui sentado. Não é uma busca, vocês podem perceber que não há cenário, não há antagonista, coadjuvantes, a luz se precipita apenas sobre mim.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Apaga o cigarro e enfia o outro dedo na orelha esquerda]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- Trata-se somente do que eu quero ouvir. Que existe relação entre o não dito e o que se quis dizer. Complicado?</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Com os ouvidos tapados se levanta da cadeira e, tambores tocando, agarra o copo d’água com os cotovelos]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- Olha o que eu sou capaz de fazer!</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Leva o copo d’água até a boca, mas não consegue engoli-la. Rosto e camisa empapados. Alguém ri na platéia, mas a grande maioria faz silêncio]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- Isso sim é complicado!</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[A produção traz uma toalha, ele se limpa e a coloca sobre os ombros]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- Complicado é ser honesto sem parecer careta!</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Coloca as duas mãos sobre o banco e planta bananeira]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- Por exemplo, se eu dissesse que eu não queria estar em nenhum outro lugar se não ao seu lado, isso soaria piegas. Vocês já ouviram isso em algum lugar.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Cai no chão]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- Ai. Complicada é a lei da gravidade.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Levanta-se e começa a bater palmas]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- É ser óbvio sem cair no ridículo.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[O público começa a aplaudir, uma minoria permanece calada. Ele põe as duas mãos na boca e sussurra]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- É dizer a verdade.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Faz touca com a toalha, imitando um adivinho]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- É prever o futuro.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[Senta-se novamente, coloca as mãos sobre as pernas e faz silêncio. Depois de cinco minutos começa uma vaia]</strong></p>
<p style="text-align:center;">- É pagar por esse espetáculo.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>[E sai de cena]</strong></p>
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	</item>
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		<title>Diálogo.</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 22:51:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
Pensei em pôr aqui uma frase de Clarice, mas tive medo de sepultá-la como uma unanimidade. Antes de morrer, porém, ela me apontou com aquela mão calejada pelo fogo e me interrogou.
- Sei que nunca leu um livro meu até o fim. E você sabe que escrever, mesmo que qualquer bobagem, é vender a alma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=238&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-240" title="clarice-lispector-3" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/clarice-lispector-3.jpg?w=345&#038;h=538" alt="clarice-lispector-3" width="345" height="538" /></p>
<p>Pensei em pôr aqui uma frase de Clarice, mas tive medo de sepultá-la como uma unanimidade. Antes de morrer, porém, ela me apontou com aquela mão calejada pelo fogo e me interrogou.</p>
<p>- Sei que nunca leu um livro meu até o fim. E você sabe que escrever, mesmo que qualquer bobagem, é vender a alma aos poucos. O que lhe tira o sono?</p>
<p>- Não sei, como toda criança talvez o medo. Ainda anseio por uma coisa sem nome, embora ele esteja na ponta da língua.</p>
<p>- Medo de parecer honesto ou medo de ser honestamente louco?</p>
<p>- Qual a diferença? Ambos são paralisantes!</p>
<p>- Deixe a palavra morrer em paz e siga vivendo. Diga sim, sempre.</p>
<p>- Se assim fizesse uma hora estaria me violentando.</p>
<p>- Isso porque você ainda acredita que você vale à pena. Não perca tempo.</p>
<p>- Para onde vão as pessoas depois que elas morrem?</p>
<p>- Não sei. Eu virei poeira em seus livros.</p>
<p>- Ainda assim todos lhe amam.</p>
<p>- Porque verso como uma bruxa. Trato a letra com muita mandinga. Em vida nunca fiz questão de ser compreendida.</p>
<p>- Agora que está morta&#8230;</p>
<p>- Não posso processar quem abusa dos meus textos. Fazem mal-uso deles, tratam tudo como uma grande revelação, não há nada de original nem no sofrimento nem no gozo. Nem na falta.</p>
<p>- Pensei em usar algumas palavras suas para traduzir o que ando a sentir.</p>
<p>- Não seria o primeiro.</p>
<p>- Mas prefiro ser clichê ao meu modo.</p>
<p>- Não será o último.</p>
<p>Ainda passei o dedo sobre a capa de Perto do Coração Selvagem; pensei em folheá-lo e roubar um trecho avulso, qualquer um. Queria selar assim um pacto com a palavra. Eu abriria mão da autoria, de qualquer verdade inventada, e em troca venderia a alma dela, de Clarice, já carcomida pela vida, mas nunca, nunca esquecida.</p>
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	</item>
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		<title>Desculpa ou O Conto da Ilha de Abre-Olhos.</title>
		<link>http://ruadetras.wordpress.com/2009/05/12/desculpa-ou-o-conto-da-ilha-de-abre-olhos/</link>
		<comments>http://ruadetras.wordpress.com/2009/05/12/desculpa-ou-o-conto-da-ilha-de-abre-olhos/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 May 2009 02:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
Fomos a cavalo, eu e a minha sombra, até o Porto onde sabíamos existir um barco a nossa espera. Nele uma caveira encapuzada recomendava que os viajantes engolissem uma moeda antes de embarcar. “Vai saber se vão chegar”, dizia com sua voz cadavérica.
No caminho um vapor suforoso que emanava do lago me deixou nauseado; a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=235&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-236" title="sombra" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/sombra.jpg?w=331&#038;h=458" alt="sombra" width="331" height="458" /></p>
<p>Fomos a cavalo, eu e a minha sombra, até o Porto onde sabíamos existir um barco a nossa espera. Nele uma caveira encapuzada recomendava que os viajantes engolissem uma moeda antes de embarcar. “Vai saber se vão chegar”, dizia com sua voz cadavérica.</p>
<p>No caminho um vapor suforoso que emanava do lago me deixou nauseado; a ponto de ver tudo dobrado. Eram duas as caveiras e elas brincavam com suas foices como quem joga maculelê em noite de festa. De repente um barulho, “estou cega”, disse a vizinha gorda e um homem atrás pulou de alegria, “eu também, só enxergo o que quero”.</p>
<p>Com a sombra grudada nos pés vi ao longe as sete ilhas vulcânicas, cada uma tinha um nome, esquecidos em algum registro da Capitania. Juntas formavam Abre-olhos, a terra onde &#8220;era impossível se enxergar um palmo a frente e que, ironia a parte, todos queriam chegar&#8221;. Diziam haver nela toda sorte de fruto, uma espécie de vaca que dava leite três vezes ao dia, as mais belas mulheres, os homens mais corajosos, o último dos tesouros enterrados e uma cidade para a qual todos os dias viramos as costas – e que, natimorta, nunca mais fora encontrada.</p>
<p>“Aqui paramos, quem quiser segue a nado”, disse a caveira. Pus as minhas botas na água e tapei as narinas, dando um salto de invejar golfinho. Com um dos braços puxei a água caudalosa, com o outro certifiquei-me se carregava a mochila nas costas. A minha sombra sumira, deixando-me a ver navios – dois e agora eram quatro encapuzados me desejando boa sorte.</p>
<p>As horas passavam e Abre-olhos crescia. Um ponto luminoso podia ser visto na ponta esquerda da primeira ilha, seriam necessárias mais umas mil braçadas até que eu conseguisse pisar na terra prometida. Vultos tomavam a água escura, pensei se não eram feras devoradoras de marinheiros preparando o bote, mas a minha sombra voltara, refletida a luz da lua, me lembrando que eu era mais osso do que carne – um petisco intragável.</p>
<p>Já ía alta a lua quando pisei na areia pedregosa e avistei uma vila. “Aqui só se entra pedindo desculpas”, dizia uma placa. Gritei bem alto “desculpa” e um homem manco veio me recepcionar de braços abertos. Levou-me para casa e me ofereceu uma toalha -  era cego dos dois olhos. “Quero morar aqui por alguns tempos”, disse, “ouvi falar que aqui as pessoas morrem mais tarde do que em qualquer outra parte do mundo”. “Eu não sei o que é a velhice, nunca a vi, só a sinto nas costelas”, riu o bom homem.</p>
<p>Deixou  que eu ficasse apenas cinco dias, no sexto deveria partir e só voltar quando aprendesse a pedir perdão, palavra que até então não conhecia. Acendi um vela grande, que contava uma semana, e verifiquei que a minha sombra ainda estava lá, amarrada sob as minhas botas, hora diminuindo, hora crescendo – e isso me encheu de alegria.</p>
<p>Minha primeira noite em Abre-olhos passou tranquila. Logo que acordei percebi que a minha sombra saíra para passear e me deixara só em casa com aquele homem que, agora, estava a cozinhar batatas. Ofereci-lhe ajuda mas ele, como bom anfitrião, recusou. Fui então até a praia, puxei meu caderno de notas e comecei a escrever uma poesia.</p>
<p>Eram as mais doces palavras de amor por aquelas ilhas negras; seria o meu hino e um presente para aquele homem que insistia que eu aprendesse a pedir perdão, ou não me dava o sexto dia.  Quando terminei de escrever vi uma vaca feia e descarnada se aproximar da casa. O sol levantara sobre as montanhas e a minha sombra resolvera sentar-se ao meu lado. “O poema se chama Desculpa”, eu disse. Ela pareceu gostar pois se aproximara das minhas pernas como se quisesse ouvir um bocadinho mais daquele hino. “E começa assim&#8230;”</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Romântico.</title>
		<link>http://ruadetras.wordpress.com/2009/05/11/romantico/</link>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 13:01:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ruadetras.wordpress.com/?p=221</guid>
		<description><![CDATA[Comentário em Desenha-me um Carneiro:
&#8220;O bom é que antes de descer para o estômago ela dá uma voltinha no coração&#8221;
***
&#8220;Bem, eu não tenho certeza, é coisa minha, como lhe dizer, acho que estou..&#8221;
&#8220;As palavras&#8230;&#8221;
&#8220;O que tem elas?&#8221;
&#8220;Perdem o encantamento muito rápido&#8221;


       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=221&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_222" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-222" title="Borboleta" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/borboleta.jpg?w=450&#038;h=584" alt="Por Pedro Fernandes" width="450" height="584" /><p class="wp-caption-text">Por Pedro Fernandes</p></div>
<p style="text-align:center;">Comentário em <a href="http://desenhameumcarneiro.wordpress.com" target="_blank">Desenha-me um Carneiro</a>:</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;O bom é que antes de descer para o estômago ela dá uma voltinha no coração&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Bem, eu não tenho certeza, é coisa minha, como lhe dizer, acho que estou..&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;As palavras&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;O que tem elas?&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Perdem o encantamento muito rápido&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
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		<title>Moderno.</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 11:54:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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VERMELHO
&#8220;Eu vejo uma grade&#8221;, me disse.
&#8220;Eu vejo três cores básicas  impedidas de se misturarem&#8221;
&#8220;Não estamos falando sobre a mesma coisa, impedimento?&#8221;
&#8220;Acho que ele queria falar sobre simetria, nós é que estamos no caminho errado&#8221;
***
AMARELO
&#8220;Ontem estive com outra pessoa&#8221;
***
AZUL
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-216" title="mondrian" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/mondrian.jpg?w=337&#038;h=400" alt="mondrian" width="337" height="400" /></p>
<p style="text-align:center;">VERMELHO</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Eu vejo uma grade&#8221;, me disse.</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Eu vejo três cores básicas  impedidas de se misturarem&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Não estamos falando sobre a mesma coisa, impedimento?&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Acho que ele queria falar sobre simetria, nós é que estamos no caminho errado&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p style="text-align:center;">AMARELO</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Ontem estive com outra pessoa&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">***</p>
<p style="text-align:center;">AZUL</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Porque você é tão calado?&#8221;. Aproximou-se e tirou um cílio que escapara, colocou sobre o dedo e falou &#8220;vem&#8221;.</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Porque tenho medo de parecer clichê quando estou do seu lado&#8221; e apertei com firmeza o meu dedão sobre aquele dedo pequeno.</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;Você venceu&#8221;, me disse, &#8220;vai desejar o que?&#8221;.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruadetras.wordpress.com/217/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruadetras.wordpress.com/217/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruadetras.wordpress.com/217/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruadetras.wordpress.com/217/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruadetras.wordpress.com/217/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruadetras.wordpress.com/217/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruadetras.wordpress.com/217/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruadetras.wordpress.com/217/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruadetras.wordpress.com/217/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruadetras.wordpress.com/217/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=217&subd=ruadetras&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">luigipiccolo</media:title>
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		<title>Equação.</title>
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		<comments>http://ruadetras.wordpress.com/2009/05/08/equacao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 May 2009 19:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>luigipiccolo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Posto o problema, e dada meia hora para solucioná-lo, comecei a rabiscar com o meu lápis laranja as possíveis fórmulas para se chegar a resposta. Eu sabia que era um número de 1 a 10, mas o exercício tinha muitas letras, números e variáveis.
Cocei o cocuruto e olhei para o relógio, ainda faltavam vinte minutos. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=211&subd=ruadetras&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_212" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-212" title="Listen" src="http://ruadetras.files.wordpress.com/2009/05/listen.jpg?w=450&#038;h=589" alt="&quot;Listen to your Heart&quot; de Pedro Fernandes" width="450" height="589" /><p class="wp-caption-text">&quot;Listen to your Heart&quot; de Pedro Fernandes</p></div>
<p>Posto o problema, e dada meia hora para solucioná-lo, comecei a rabiscar com o meu lápis laranja as possíveis fórmulas para se chegar a resposta. Eu sabia que era um número de 1 a 10, mas o exercício tinha muitas letras, números e variáveis.</p>
<p>Cocei o cocuruto e olhei para o relógio, ainda faltavam vinte minutos. Crianças brincavam do lado de fora, escorregavam, giravam, gritavam – uma delas tirou uma maçã da lancheira e tascou-lhe uma mordida.</p>
<p>Suando, bati com a ponta do lápis na mesa. Faltavam cinco minutos quando entreguei a prova nas mãos do professor.</p>
<p>***</p>
<p>Resolvi que todo problema matemático poderia ser transformado em uma pergunta boba e rabiscava “Como vai você¿”, “O dia está chuvoso, não¿”, “Você já foi ao banheiro hoje¿”, “Quantas vezes você sente vontade de me ver ao dia¿” ou “Você já leu aquele livro¿”.</p>
<p>Respondi: N vezes elevado a infinito. E saí sorrindo para os meus colegas de sala.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ruadetras.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ruadetras.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ruadetras.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ruadetras.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ruadetras.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ruadetras.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ruadetras.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ruadetras.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ruadetras.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ruadetras.wordpress.com/211/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ruadetras.wordpress.com&blog=5716156&post=211&subd=ruadetras&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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