Começo essa estória explicando que esse não é um conto comum para crianças. Não haverão princesas e vilões, monstros e fadas, mas sim um desafio. E todo desafio começa com uma pergunta cabeluda, dessas que fazem a gente coçar a orelha e espremer os olhos nos perguntando “mas o que é isso?”.
O João não sabia o que era uma Fábula. A professora tentou explicar que as fábulas eram pequenas estórias onde os personagens são normalmente animais com características humanas – eles falam, cantam, dançam, andam, como nós – e que sempre no final havia uma lição de moral.
O joão chegou em casa e olhou para o seu gato, o Malhado, e esperou cinco minutos para vero se ele esboçava alguma reação que lhe lembrasse seus colegas de escola, seus primos e amigos do bairro, mas a única coisa que conseguiu foi um carinho nas pernas que lhe lembrou muito os cafunés inesperados que levava da avó.
Confuso perguntou para a professora se a história do sapo que virava um príncipe no final era uma Fábula e ela lhe explicou que não. Nesse caso ser um sapo era um castigo e se tornar o príncipe a solução de todos os problemas. Nas Fábulas animais eram sempre animais só que conversam como nós e cometiam erros como nós. João não conhecia nenhum príncipe e detestava sapos, mas gostava do gato Malhado e pensou talvez que se o imitasse soubesse por onde começar a entender uma Fábula.
No outro dia chegou cedo à aula e quando a professora o chamou, João se levantou, pegou a mão da professora com calma e esfregou seu nariz entre seus dedos. A professora ficou vermelha como um tomate, abriu um pequeno livro que ela chamava de caça-palavras (um dicionário) e pediu para que o João lêsse em voz alta o significado da palavra “Imaginação”.
“Sem essa palavrinha mágica não há fábula, João”.
É essa a lição da estória, professora? – perguntou ele.
Não, esse é o desafio antes de ler qualquer livro – respondeu a professora.