(Toda resistência é pouca quando tudo o que se quer é não resistir)
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Ao fim, Da guerra – brindaram as duas senhoras e seus consortes, no que então a de longo negro, com o naipe de espadas bordado em prata no peito, ofereceu a mão à segunda mulher, uma rechonchuda senhora de cabelos escuros e naipe de copas enfeitando a capa vermelha, um grande coração recheado de pérolas rosadas; essa aceitou com um ar de desdém, logo depois olhou furiosa para o Mestre de Cerimônias, anunciando baixinho que, Isso não fazia parte do cerimonial, e crispando os dentes de raiva.
Sentaram as duas em seus respectivos tronos, num alto tablado, onde podiam assistir a cerimônia de entrega das armas, última parte do processo de paz entre os dois reinos. Soldados de ambos os lados jogavam suas lanças no chão e se abraçavam em sinal de respeito e amizade. Queimem tudo – anunciou o Mestre de Cerimônias, quando então trouxeram a mistura efervescente de gordura de vaga-lume e álcool-aquarela, jogando-a sobre o pequeno monte de armas que ali se formava. Foram oferecidos dois fósforos dourados as rainhas, que então se levantaram para dar inicio ao ritual de destruição das armas. Olhou a rainha para o Mestre de Cerimônias e depois para o fósforo da rainha de espadas, Certificou-se que o meu é menor do que o dela?, Sim Majestade, e dizia isso em meio a pernas bambas e outros tremeliques. Um tanto melhor para você, terminou a prosa em tom profético, como se o sucesso da empreitada tivesse alguma relação com o pescoço que dava sustentação à cabeça do bom homem.
Pois quando acendeu o fósforo, queimou em azul o da rainha de espadas, expelindo pequeninas estrelas cadentes e arrancando aplausos de ambos os exércitos. A rainha de copas não escondeu a insatisfação, bufou alto, e todos ficaram quietos respeitando o seu momento no ritual. Levantou o pequeno fósforo com toda a pompa, fazendo círculos enquanto não chegava à pequena esteira, aonde iria riscá-lo. Cantou o hino da sua nação, sendo acompanhada pelos seus e quando chegou à hora, foi com toda a força, como se decepasse com as próprias mãos algum dos seus desafetos… Ouviu-se um barulho de espanto, no que ao abrir um olho, verificou a dama que o seu palito havia partido ao meio. A face queimando num vermelho que se confundia com a capa que lhe dava autoridade, Foi um fracasso, gritou em voz alta, batendo com força o pé no tablado, rugindo como um tigre feroz. Aonde? Aonde foi parar?, procurou com os olhos o Mestre de Cerimônias, Apareça seu duende manco!, apertava o pescoço do consorte, o apagado rei de copas. A rainha de espadas não conteve um risinho, escondido delicadamente atrás das mãos, e resolveu interferir em favor do pequeno homem, Acho que não há razão alguma para castigá-lo!, poderíamos reiniciar a cerimônia, para mim não há problemas!, apagou com um sopro a chama azul que ardia na ponto do fósforo. Por acaso está insinuando que a culpa é minha? Que fui eu a culpada por tamanho fracasso? Logo se vê que não entende nada de cerimonial e Mestres de Cerimônias!, desceu do trono, pomposa, e gritou, Na certa é um complô, apontou para a rainha de espadas, perdendo toda a compostura, Um complô?, levantou-se indignada a dama de negro, Ora, ora, minha senhora, deveria tomar cuidado com a língua, essa parece ferver mais do que o seu humor exaltado! Num acesso de raiva a rainha de copas atirou-se contra as armas, depositadas no chão, apontando uma lança afiada em direção a outra senhora dos naipes, Pois tu devias era tomar cuidado com a defesa das suas cidades e palácios, Essa guerra termina agora quando começa a outra, Vão todos para casa!, insultada a senhora de espadas aceitou a proposta e no furor do momento gritou, Tens apenas um mês de reinado, aproveita!, e retirou-se com seu exercito para fora das terras dos de copas.
Sentou-se no trono, Tragam a taça de vinho, no que o rei lhe trousse cheia, rodeada de uvas e morangos. E quando acharem o velho, Me vejam só a cabeça, o resto empalem do lado de fora do castelo que é para o exercito de espadas perceber que não se brinca com uma dama, principalmente uma dama de vermelho, e abriu o leque em gargalhadas, enquanto rabiscava a melhor estratégia para se chegar à cabeça da rainha de espadas, sem perder a classe e a compostura.
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Memória do Ventos Alísios